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Dr. Pedro Perillo – Cardiologista Intervencionista em Goiânia – GO

Receber a indicação de uma angioplastia coronária costuma gerar duas preocupações diferentes.

A primeira é imediata:

“Preciso mesmo colocar o stent no coração?”

Depois do procedimento, aparecem outras:

“Esse stent fica para sempre?”

“Ele pode entupir novamente?”

“Posso fazer exercícios?”

“Vou precisar tomar remédios pelo resto da vida?”

Essas dúvidas são muito comuns.

O stent coronário é uma pequena estrutura metálica implantada dentro de uma artéria coronária para manter adequadamente aberto um segmento que foi tratado durante uma angioplastia.

Mas existe um conceito que considero fundamental:

o stent no coração trata uma determinada obstrução. Ele não elimina a doença aterosclerótica do organismo.

Por isso, entender o que acontece depois do procedimento é tão importante quanto compreender o procedimento em si.

Dr. Pedro Perillo — Cardiologista e Cardiologista Intervencionista em Goiânia

Minha atuação profissional envolve a investigação e o tratamento da doença arterial coronariana, desde a consulta e avaliação dos exames até procedimentos realizados em laboratório de Hemodinâmica.

Realizei minha formação em Cardiologia e posteriormente em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista pela Universidade Federal de São Paulo — UNIFESP, onde também concluí meu Mestrado em Cardiologia.

Sou especialista titulado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e pela Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI).

Dr Pedro Perillo

Ao longo da formação e da prática profissional, já realizei mais de 5.000 procedimentos em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista, envolvendo desde investigações coronarianas até procedimentos cardiovasculares de maior complexidade.

E uma das coisas que essa experiência deixa muito clara é que uma boa angioplastia não termina quando o procedimento acaba.

Ela inclui três momentos:

decidir corretamente quem precisa de intervenção, realizar o procedimento da melhor forma possível e cuidar adequadamente do paciente depois.

A seguir, respondo algumas das perguntas que mais aparecem nessa terceira etapa.

1. O stent fica dentro do coração para sempre?

Sim.

O stent coronário permanece dentro da artéria onde foi implantado.

Ele não precisa ser retirado posteriormente.

Durante a angioplastia, o stent é expandido contra a parede da artéria e passa a funcionar como uma estrutura de sustentação daquele segmento.

stent no coração

Com o passar do tempo, ocorre cicatrização da parede vascular e o dispositivo fica integrado ao vaso.

Hoje, a grande maioria dos procedimentos utiliza stents farmacológicos, que liberam medicamentos localmente para reduzir a proliferação excessiva de tecido dentro do dispositivo e, consequentemente, diminuir o risco de reestenose.

Portanto, não existe uma cirurgia futura planejada simplesmente para “trocar” o stent.

2. Quanto tempo dura um stent no coração?

O stent não possui uma validade semelhante à de uma prótese que precise ser substituída depois de determinado número de anos.

Em princípio, ele foi desenvolvido para permanecer definitivamente na coronária.

O que pode acontecer ao longo do tempo não é o stent “vencer”, mas surgirem outros problemas.

Pode ocorrer nova formação de tecido dentro do segmento tratado, progressão da aterosclerose em outras regiões das coronárias ou, mais raramente, trombose do stent.

Por isso, a pergunta mais importante não é: “Quanto tempo meu stent vai durar?”

É: “Como vou controlar minha doença coronariana daqui para frente?”

3. O stent no coração pode entupir novamente?

Pode, embora os stents farmacológicos modernos tenham reduzido bastante alguns desses problemas.

Existem duas situações diferentes que o paciente costuma chamar simplesmente de “entupimento do stent”.

reestenose

Reestenose

É o estreitamento progressivo do segmento tratado, geralmente relacionado à resposta cicatricial do organismo.

Com os stents farmacológicos contemporâneos, esse fenômeno ocorre menos do que ocorria com tecnologias mais antigas.

Trombose do stent

É a formação de um coágulo dentro do dispositivo.

É uma complicação potencialmente grave, mas relativamente incomum quando o procedimento foi adequadamente realizado e o paciente utiliza corretamente a medicação prescrita.

Uma das medidas mais importantes para reduzir esse risco é não suspender os antiagregantes plaquetários por conta própria.

4. Preciso tomar medicamentos depois de colocar um stent?

Sim.

Depois de uma angioplastia, normalmente são utilizados medicamentos que reduzem a agregação das plaquetas.

Em muitos pacientes existe, por determinado período, uma combinação de dois antiagregantes plaquetários.

A duração desse tratamento não é igual para todo mundo.

Ela depende de fatores como:

  • se a angioplastia foi realizada durante um infarto ou de maneira eletiva;
  • risco de sangramento;
  • complexidade da intervenção;
  • características da doença coronariana;
  • outros medicamentos utilizados;
  • necessidade de anticoagulação por outro motivo.
medicamentos

As recomendações contemporâneas individualizam cada vez mais a duração da terapia antitrombótica, equilibrando risco de eventos isquêmicos e risco de sangramento. A diretriz americana de síndrome coronariana aguda foi atualizada em 2025 e mantém a terapia antitrombótica como parte central do cuidado após eventos coronarianos e angioplastia coronariana. 

Nunca suspenda esses medicamentos sem conversar com o cardiologista responsável.

Isso é especialmente importante antes de cirurgias e procedimentos odontológicos.

5. Depois de colocar um stent no coração estou curado?

Não.

E talvez essa seja a resposta mais importante de todo este artigo.

Imagine que uma pessoa possua placas de aterosclerose em diversas partes de suas artérias coronárias.

Durante a angioplastia, uma determinada obstrução importante é tratada.

O resultado pode ser excelente.

Mas o stent não remove as demais placas e não elimina as condições que fizeram a aterosclerose se desenvolver.

Por isso, mesmo depois de uma angioplastia tecnicamente perfeita, continuam fundamentais:

controle rigoroso do colesterol;

controle da pressão arterial;

controle do diabetes;

abandono do tabagismo;

atividade física;

alimentação adequada;

controle do peso;

adesão aos medicamentos.

As diretrizes da ESC para doença coronariana crônica reforçam justamente que tratamento medicamentoso orientado por diretrizes e mudanças de estilo de vida permanecem essenciais mesmo nos pacientes submetidos a revascularização. 

6. Posso fazer exercícios depois de uma angioplastia?

Na maioria dos pacientes, sim.

Aliás, depois da fase inicial de recuperação, atividade física faz parte do tratamento cardiovascular.

Mas o momento de retorno e a intensidade do exercício dependem do motivo do procedimento.

Existe uma diferença importante entre alguém que realizou uma angioplastia eletiva, estava clinicamente estável e recebeu alta rapidamente e um paciente que colocou um stent durante um infarto extenso.

No segundo caso, o retorno às atividades depende também da função cardíaca, extensão do dano miocárdico e evolução clínica.

reabilitação

Em alguns pacientes, programas de reabilitação cardiovascular podem ajudar a organizar esse retorno.

Por isso, o mais correto não é perguntar: “Quem tem stent no coração pode fazer academia?”

A resposta costuma ser sim.

A pergunta deveria ser: “Quando e em qual intensidade eu posso retomar o exercício no meu caso?”

7. Posso trabalhar normalmente depois de colocar um stent?

Muitas pessoas retornam normalmente às atividades profissionais.

O intervalo necessário depende do tipo de trabalho, do acesso utilizado para o procedimento e, principalmente, da situação clínica que levou à angioplastia.

Uma angioplastia eletiva realizada pelo punho em uma pessoa estável é muito diferente de uma angioplastia realizada durante um infarto.

Trabalhos predominantemente intelectuais ou administrativos normalmente permitem retorno mais rápido que atividades envolvendo esforço físico intenso.

Quando a angioplastia é realizada pelo acesso radial, através do punho, existe ainda a necessidade de respeitar temporariamente orientações relacionadas ao membro utilizado.

As diretrizes de revascularização recomendam o acesso radial, quando apropriado, por reduzir sangramentos e complicações vasculares em comparação ao acesso femoral. 

8. Posso fazer ressonância magnética ou passar por detector de metais?

A presença de um stent no coração moderno geralmente não impede atividades rotineiras nem costuma provocar problemas em detectores de metais.

Em relação à ressonância magnética, os dispositivos modernos possuem especificações próprias de compatibilidade.

Na prática, o paciente deve informar ao serviço de imagem que possui um stent coronário e, se possível, manter os dados do procedimento e do dispositivo implantado.

Essa é uma boa razão para guardar o cartão ou relatório da angioplastia.

Ele pode ser útil ao longo dos anos para fornecer informações sobre quais dispositivos foram utilizados.

9. Se tenho um stent no coração, posso precisar de outro no futuro?

Sim.

Mas isso não significa necessariamente que o primeiro stent tenha falhado.

A aterosclerose é uma doença que pode atingir vários segmentos das coronárias.

Uma pessoa pode ter uma lesão importante tratada hoje e anos depois, desenvolver progressão de outra placa em outro local.

Por isso, controlar fatores de risco é tão importante.

Também é por esse motivo que não existe lógica em colocar stents preventivamente em todas as placas pequenas.

O objetivo da Cardiologia Intervencionista moderna não é revestir as artérias com metal.

É identificar quais obstruções realmente se beneficiam de revascularização.

Nas lesões intermediárias, por exemplo, as diretrizes ESC recomendam avaliação funcional com métodos como FFR ou iFR quando essa informação é necessária antes de decidir pela revascularização. 

10. Vou precisar fazer cateterismo regularmente para verificar o stent no coração?

Não.

Não existe indicação de repetir cateterismo periodicamente apenas porque existe um stent no coração.

O acompanhamento é baseado principalmente em:

sintomas;

avaliação clínica;

controle dos fatores de risco;

evolução cardiovascular;

exames complementares

Se o paciente está bem e sem sintomas, não faz sentido realizar rotineiramente um procedimento invasivo apenas para “ver se o stent continua aberto”.

Quando surgem novos sintomas, a investigação também não começa obrigatoriamente pelo cateterismo.

Dependendo da situação, podem ser utilizados métodos não invasivos antes.

Quais sintomas depois de uma angioplastia merecem atenção?

Nos primeiros dias, pode existir pequeno desconforto ou hematoma no local utilizado para o procedimento.

Isso é diferente de apresentar novamente uma dor torácica importante.

Dor ou pressão no peito nova ou persistente, principalmente quando acompanhada de falta de ar, sudorese, náusea ou mal-estar importante, merece avaliação médica rápida.

Se o sintoma for intenso ou houver suspeita de infarto, procure atendimento de urgência.

O maior erro depois do stent no coração é acreditar que o problema acabou

A angioplastia pode resolver uma obstrução importante e, em situações como o infarto, restabelecer rapidamente o fluxo sanguíneo de uma artéria.

É uma ferramenta extremamente importante da Cardiologia.

Mas o sucesso do tratamento não pode ser medido apenas pela imagem final do procedimento.

aterosclerose

Um bom resultado significa também que, meses e anos depois, o paciente mantém:

colesterol adequadamente controlado;

pressão arterial controlada;

medicações corretamente utilizadas;

atividade física;

hábitos mais saudáveis;

acompanhamento médico.

O stent resolve uma parte da história. A prevenção escreve os próximos capítulos.

Tenho stent. O que devo fazer daqui para frente?

Conheça seus medicamentos e saiba por que está tomando cada um.

Não interrompa antiagregantes sem orientação médica.

Mantenha consultas de acompanhamento.

Controle rigorosamente seus fatores de risco.

E não tenha medo do stent.

Depois da recuperação apropriada, o objetivo do tratamento é justamente permitir que o paciente retome sua vida com mais segurança.

A presença de um stent não deve ser encarada como sinal de fragilidade.

Ela deve funcionar como um lembrete: existe doença coronariana e ela precisa continuar sendo tratada mesmo quando não existem sintomas.

Dr. Pedro Perillo
Médico Cardiologista
Especialista em Cardiologia e Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista
CRM-GO 20317 | RQE 15.681 | RQE 17.630

Referências Bibliográficas

ESC — 2024 Guidelines for the Management of Chronic Coronary Syndromes. 

ACC/AHA/SCAI — 2021 Guideline for Coronary Artery Revascularization. 

ACC/AHA/ACEP/NAEMSP/SCAI — 2025 Guideline for Acute Coronary Syndromes.

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