Seu Coração é a Estrela Principal
A decisão de se submeter a uma cirurgia, mesmo que de rotina, exige um planejamento cuidadoso e o seu coração é o protagonista desse processo.
A Avaliação Cardiológica Pré-Operatória, também conhecida como Avaliação do Risco Cirúrgico, transcende um simples exame; é é um processo clínico estruturado para reduzir complicações e melhorar a recuperação.
Neste texto vamos desmistificar a avaliação e reforçar a importância da consulta com um cardiologista. As informações são embasadas nas diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a American Heart Association (AHA).

Dr Pedro Perillo – Cardiologista
Escolhi a cardiologia por reconhecer a importância central do coração, órgão símbolo da vida, no organismo humano e seu impacto direto na saúde global do paciente.
Minha trajetória foi moldada em centros de referência nacionais e internacionais, com foco em excelência técnica e atualização constante:
- Médico pela PUC Goiás
- Residência em Clínica Médica – Hospital Geral de Goiânia (HGG)
- Residência Médica em Cardiologia – Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP)
- Especialização em Cardiologia Intervencionista e Hemodinâmica – UNIFESP
- Mestrado em Cardiologia – UNIFESP
- Título de Especialista em Cardiologia – Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC)
- Título de Especialista em Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista – Sociedade Brasileira de Hemodinâmica e Cardiologia Intervencionista (SBHCI)
Essa formação me permite atuar com precisão tanto na prevenção e no acompanhamento clínico quanto em situações críticas, oferecendo diagnóstico apurado e intervenções rápidas e eficazes quando necessário.
Em minha prática clínica, realizo diariamente avaliações de risco cirúrgico, conduzidas com enfoque em um cuidado individualizado e completo. Priorizar a segurança do paciente é essencial, motivo pelo qual ofereço um atendimento ágil e eficaz, baseado em análise minuciosa do quadro clínico, revisão criteriosa de comorbidades e integração com a equipe cirúrgica.

O Que Dizem os Pacientes
No meu dia a dia, dedico atenção especial a esses pacientes, combinando avaliação clínica detalhada, exames complementares modernos e orientação individualizada para garantir uma cirurgia mais segura possível.
Veja as avaliações de alguns pacientes:




Desvendando o Risco Cirúrgico: Por quê um Cardiologista?
Ao enfrentar uma cirurgia, o nosso organismo não interpreta o ato cirúrgico como algo intencional e benéfico, mas sim como uma lesão que precisa ser recuperada. Para isso, acontecem algumas adaptações naturais que podem sobrecarregar o nosso coração.
O propósito central da avaliação do risco cirúrgico é identificar e gerenciar os riscos cardiovasculares que podem surgir antes, durante, ou após um procedimento cirúrgico não cardíaco. O cardiologista busca ativamente por condições que, sob o aumento da demanda imposto ao nosso organismo pelo estresse da cirurgia, poderiam desencadear complicações graves, como ataque cardíaco, arritmias ou insuficiência cardíaca.

É de extrema importância entender que a avaliação cardiológica não visa de maneira nenhuma impedir a cirurgia, mas sim torná-la o mais segura possível. O cardiologista é o profissional que, em conjunto com o cirurgião, estabelece o risco de uma cirurgia com base na análise de três fatores interligados:
- O Tipo de Cirurgia: classificadas em baixo, intermediário e alto risco. Procedimentos de grande porte, como cirurgias vasculares ou de emergência, impõem um estresse significativamente maior ao coração, exigindo uma avaliação mais aprofundada.
- Sua Condição de Saúde (Doenças Prévias): A presença de doenças cardíacas pré-existentes (como histórico de infarto, insuficiência cardíaca, ou doença arterial coronariana) pode elevar o risco. Condições crônicas como diabetes, hipertensão e doença renal também são consideradas fatores de risco que precisam estar sob controle rigoroso.
- Capacidade Funcional: Este é um dos indicadores mais importantes da reserva cardíaca. O cardiologista avalia como o seu corpo lida com o esforço físico. A capacidade de realizar atividades que exigem um esforço moderado (como subir alguns lances de escada ou caminhar rapidamente sem sintomas) é um forte indicativo de que o coração tem uma reserva adequada para suportar o estresse cirúrgico.
As Complicações que Buscamos Prevenir
O estresse cirúrgico pode levar a um aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, sobrecarregando o coração. As principais complicações cardiovasculares que a avaliação busca atenuar são:
- Infarto do Miocárdio Perioperatório (IM): A complicação mais temida, ocorre devido ao desequilíbrio entre a demanda e a oferta de oxigênio ao músculo cardíaco.
- Acidente Vascular Cerebral (AVC): O risco de derrame cerebral pode ser maior em pacientes com certas arritmias ou doenças vasculares.
- Insuficiência Cardíaca Aguda: O coração falha em bombear sangue eficientemente, podendo levar a um acúmulo de líquido nos pulmões.
O Passo a Passo da Avaliação: O Que Esperar da Consulta
A consulta para a avaliação pré-operatória é um processo estruturado de investigação e avaliação criteriosa.
História Clínica Detalhada e Estratificação de Risco
Entrevista detalhada sobre sua saúde, incluindo sintomas atuais, histórico de doenças cardíacas e não cardíacas e a lista completa de medicamentos. Com base nesses dados, o médico utiliza ferramentas de estratificação de risco cardiovascular. A pontuação obtida ajuda a determinar a necessidade de exames complementares e as estratégias de otimização.

Exame Físico e Exames Complementares
O exame físico deve ser completo. Em alguns casos, exames complementares podem ser necessários para uma avaliação mais ampla e individualizada do coração. Os exames mais comuns envolvem:
- Eletrocardiograma (ECG): O exame de rotina mais comum, essencial para identificar arritmias ou sinais de isquemia.
- Ecocardiograma: Uma ultrassonografia do coração, crucial para avaliar a função das válvulas e a força de bombeamento em pacientes com histórico de insuficiência cardíaca ou sopros.
- Testes de Estresse: simulam o estresse cirúrgico para avaliar a reserva cardíaca.
- Exames Laboratoriais

A Importância da Otimização: Prevenir é o Melhor Remédio
O maior benefício da avaliação pré-operatória é a oportunidade de otimizar sua saúde antes da cirurgia. O cardiologista não apenas mede o risco, mas atua para reduzi-lo ativamente.
A otimização medicamentosa é um pilar fundamental:
- Controle da Pressão Arterial e Diabetes: A cirurgia pode ser adiada por um curto período para que a hipertensão ou o diabetes sejam controlados, minimizando o risco de complicações renais e cardiovasculares.
- Manejo de Anticoagulantes: Pacientes que usam remédios que “afinam o sangue” exigem um plano de manejo extremamente cuidadoso. O cardiologista, em conjunto com a equipe cirúrgica, decide o momento seguro para suspender o medicamento ou até mesmo criar alternativas seguras para evitar sangramentos excessivos.
- Ajuste Preventivo: Em pacientes de alto risco, as diretrizes internacionais recomendam o início de medicamentos que atuam no controle da frequência cardíaca ou em placas de gordura dias ou semanas antes da cirurgia. Essa “prevenção” medicamentosa protege o coração durante o estresse cirúrgico.

Reabilitação e Comunicação Multidisciplinar
Em alguns casos, a recomendação de exercícios ou reabilitação cardíaca pode ser feita para melhorar a capacidade funcional. Um corpo mais condicionado é um forte preditor de um bom resultado pós-operatório.
Um risco cirúrgico feito de maneira adequada por um cardiologista atua como um elo de comunicação, fornecendo um relatório detalhado com a classificação de risco e as recomendações específicas para o manejo intra e pós-operatório. Essa comunicação alinhada entre cardiologista, cirurgião e anestesista é a chave para o sucesso de qualquer procedimento.
Mitos e Verdades sobre a Avaliação Cardiológica
| Mito | Verdade |
| “Se eu fizer o risco cirúrgico, minha cirurgia será cancelada.” | Falso. O objetivo é a segurança. O cancelamento é raro e só ocorre quando o risco se sobrepõe aos benefícios da cirurgia. |
| “Se o meu coração está bom, não preciso de risco cirúrgico.” | Falso. O Risco Cirúrgico é uma medida de prevenção. Ele identifica fatores de risco silenciosos (como hipertensão não controlada ou arritmias assintomáticas) que podem se manifestar durante a cirurgia |
| “O risco cirúrgico é apenas um eletrocardiograma.” | Falso. O foco principal é a avaliação clínica do paciente (história e exame físico). A avaliação completa envolve a análise de risco e, se necessário, exames mais complexos. |
| “O Risco Cirúrgico só serve para cirurgias cardíacas.” | Falso. O Risco Cirúrgico é fundamental para cirurgias não cardíacas, pois são elas que podem desencadear complicações cardiovasculares em pacientes de risco. |

Seu Papel na Prevenção: Seja um Paciente Ativo
A avaliação cardiológica no risco cirúrgico é uma responsabilidade compartilhada. Seu papel como paciente é crucial:
- Seja Transparente: Forneça ao cardiologista todas as informações sobre seu histórico de saúde e medicamentos, incluindo suplementos, sem omitir detalhes.
- Siga as Recomendações: Siga rigorosamente as orientações de ajuste de medicação ou otimização. O adiamento de uma cirurgia para otimizar sua saúde é uma decisão que salva vidas.
- Não Deixe para a Última Hora: A avaliação deve ser feita com tempo hábil (idealmente semanas antes) para permitir a otimização, caso seja necessária.

Conclusão: Um Investimento na Sua Segurança e Longevidade
A realização do risco cirúrgico é um investimento direto na sua segurança e no sucesso da sua cirurgia. Ao se consultar com um cardiologista, você está ativamente prevenindo complicações e garantindo que o seu coração esteja nas melhores condições possíveis para enfrentar o procedimento.
Lembre-se: um coração bem avaliado é o primeiro passo para uma recuperação tranquila, um resultado cirúrgico de sucesso e uma vida mais longa e saudável.
Conte comigo para garantir a saúde do seu coração.